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Qual é o momento de ir para o divã em uma análise?

  • Foto do escritor: Sessão de Psi
    Sessão de Psi
  • 13 de ago.
  • 3 min de leitura

Não tenho pretensão, com esse escrito, de trazer uma resposta fechada para essa pergunta. Como bons neuróticos em busca de respostas, a minha intenção aqui não é ocupar um lugar de mestre que traz soluções universais, mas sim de pensarmos sobre o uso dessa ferramenta em um processo de análise!

 

É muito comum eu escutar no consultório: “ah, conheço fulano, ele faz análise e ele está no divã, porque eu não?” ou então “porque ainda eu não estou no divã?”. E não só isso, mas um imaginativo de que ir para o divã é dar um upgrade no processo; agora eu entreguei aquilo que eu acho que meu analista quer! agora eu evoluí, estou evoluindo.

 

Como se um processo psicológico respondesse ao mercado, a uma lógica de produção, de sucesso (como é dito pelo mundo capitalista), quando na verdade, diz mais de um outro momento da análise, outro modo de experimentar o que é fazer análise. Dentro do consultório há possibilidades de repensar o sentido que damos às coisas! O divã tem uma importância clínica? sim! Mas, ainda sim é mais uma ferramenta do processo analítico. 


Freud usava o divã como uma maneira de descansar a visão após sequências de atendimentos, pois existe um cansaço em manter o olhar direcionado ao outro, pensando num tempo de quase uma hora de sessão. E há uma outra questão: o Freud era médico, nesse sentido, podemos pensar também nessa herança médica dos pacientes se deitarem para realizar tratamentos. A partir desse fato, ele começa a perceber que o analisante ao se deitar remetia a uma posição confortável, trazendo relaxamento, semelhante a um descanso, sendo bastante interessante para o setting analítico.

 

(Freud Museum/Reprodução)

 

Ele percebeu que essa ferramenta podia ser usada como uma forma do analisante falar mais livremente sobre si, sobre seus afetos, seus desejos, reduzindo esse crivo de julgamento interno daquilo que se diz, daquilo que se quer dizer, reduzindo essa fantasia daquilo que eu acho que meu analista vai pensar do que eu estou falando. Por exemplo: eu falo que não gosto da minha mãe, quero terminar um relacionamento e meu analista faz uma expressão OU NÃO faz nenhuma, que eu traduzo como uma desaprovação; ou a partir do olhar dele eu faço uma censura do que eu realmente sinto e penso.

 

Outro manejo para o convite ao divã é quando o analisante - mais do que falar para o analista - começa a se escutar, questionar o que traz como grandes certezas, quando sai de um relatório cotidiano e começa a questionar a própria vida, se escutando, direcionando algo para si. 


Há possibilidades, é um processo singular! Cada um tem um modo de fazer análise e que bom!

 

E tudo isso demanda tempo, não é necessário correr numa análise. Correr talvez se faça para ir ao trabalho, numa maratona, a vida pode ser corrida em alguma medida. Mas, numa análise o tempo gira de uma outra forma. Se o seu conhecido está no divã, é porque ele está no processo dele e se você está ou não no divã isso é do momento do seu processo.

 

Mais do que se preocupar - tanto - com isso, o mais importante é sentir, saber se você está diante de um analista ético, que propõe a te escutar, a não trazer absurdos religiosos, apontamentos abusivos , discriminatórios, achismos de si mesmo. 


Pelo mais é, SEGUIR FALANDO SOBRE!


Por Ray Caetano

CRP 04.60848

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Elaborado por Sessão de Psi 2023

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