top of page

O luto que ninguém válida: quando a perda não tem nome

Foto do escritor: Sessão de Psi
Sessão de Psi
30 de jun.
3 min de leitura
"A dor que não se fala apodrece a alma."

William Shakespeare


Existe uma crença silenciosa de que o luto precisa ser justificado, a todo momento, em voz alta. Que a dor só merece espaço quando há um motivo grande o suficiente (e o que seria grande o suficiente se as dores são individuais?), uma morte, uma separação formal, uma perda visível. Para tudo mais, aprendemos a minimizar: "não é para tanto", "outras pessoas passam por coisas piores", "eu nem deveria estar assim”, “sou sensível demais”.


Mas a dor não funciona dessa forma.



Perdas que a sociedade não nomeia


Há perdas que não ganham flores, nem abraços, nem licença no trabalho, e às vezes nem é tão claro que foi uma perda.


O fim de uma amizade antiga. O distanciamento de um familiar ainda vivo. Mudar-se de país e sentir falta de outra rotina. A perda de uma versão de si mesmo. Aquela pessoa que você imaginava ser aos trinta anos e não foi. Um aborto espontâneo. Uma oportunidade que não voltou. Um sonho silenciosamente abandonado. Uma viagem não feita. Um romance que não foi titulado. Um “sim” não dito. Um currículo não enviado. Sentir que um lugar não pode ser chamado mais de lar. Uma tentativa não vivida.


A pesquisadora Pauline Boss cunhou o termo "luto ambíguo" para descrever exatamente isso: perdas que não têm ritual, que não são reconhecidas socialmente, mas que deixam uma ausência real. São perdas sem corpo, sem velório, sem permissão para chorar.


O custo de não validar o que sentimos


A Terapia Cognitivo-Comportamental nos lembra que quando não validamos uma emoção, ela não desaparece, ela encontra outros caminhos. A pesquisadora Brené Brown, em 'A Coragem de Ser Imperfeito' escreve que "não podemos selecionar as emoções que queremos sentir. Quando bloqueamos a dor, bloqueamos também a alegria."


O que começa como um esforço para "seguir em frente" pode virar irritabilidade sem explicação, cansaço que não passa ou uma tristeza que a pessoa não sabe de onde vem, porque nunca se permitiu sentir de onde veio.


O direito de sofrer o que você está sofrendo


Uma das armadilhas mais comuns é comparar a própria dor com a de outras pessoas para concluir que a sua não é suficiente. Mas como escreveu Clarice Lispector: "Não se mede a dor como não se mede o amor."



Validar uma perda não significa dramatizá-la. Significa reconhecer que algo que importava para você deixou de existir e que isso tem peso, independentemente de quanto peso os outros acham que deveria ter.


Às vezes, o primeiro passo é simplesmente dizer: isso me machucou. Sem precisar justificar para ninguém, nem para si mesmo.


Para explorar mais sobre o tema

Se esse assunto ressoou em você, algumas obras podem aprofundar essa reflexão de formas diferentes:


  • 📖A Coragem de Ser Imperfeito, de Brené Brown — sobre vulnerabilidade, vergonha e o que acontece quando negamos o que sentimos.


  • 🎬Ela (Her, 2013) — um filme que explora com delicadeza o luto por conexões e versões de si mesmo que deixaram de existir.


  • 🎬Aftersun (2022) — uma obra cinematográfica sobre o luto por alguém que ainda estava presente, e tudo que não foi dito.


  • 🎬 Versa (2025) — conta o luto vivido pela ótica da mãe e do pai, disponível da Disney+ .


Se você carrega uma dor que sente que não tem direito de ter, talvez seja hora de conversar com alguém que possa ajudá-la a encontrar esse espaço


Por Natalia Varonez CRP 06.171810

Comentários


Siga-nos nas redes sociais:

  • Facebook - Círculo Branco
  • Instagram - White Circle
Logo (6).png

CNPJ: 48.967.689/0001-54

Elaborado por Sessão de Psi 2023

bottom of page